13 de Fevereiro de 2010

A composição da gordura do leite das espécies ruminantes caracteriza-se por uma enorme complexidade.

Relativamente ao perfil dos ácidos gordos , cerca de 65% são saturados (AGS), 30% mono-insaturados (AGMI) e 5% polinsaturados (AGPI). Contabilizam-se ácidos gordos (AG) de cadeia curta (C4:0 a C12:0), AG de cadeia média (C14:0 a C17:0) e de cadeia longa (>C18:0). Muitos são específicos destas espécies animais, como alguns de cadeia curta (C4:0 a C8:0), de cadeia ímpar (C15:0, C17:0, e C17:1) e de cadeia ramificada com origem nos lípidos microbianos ruminais, bem como diversos isómeros cis e trans do ácido oleico e do ácido linoleico com origem na biohidrogenação ruminal dos AGMI e AGPI da dieta. Além da classificação estrutural (comprimento da cadeia carbonada, ou quanto ao grau de saturação), os AG da gordura do leite podem ainda ter uma classificação funcional, relativa ao metabolismo do colestrol. Está bem estabelecido que os AG saturados de cadeia média, láurico (C12:0), mirístico (C14:0) e palmítico (C16:0) exercem efeitos hipercolesterémicos , enquanto que os AG de cadeia longa, AGMI (ácido oleico) e AGPI (linoléico e linolénico) são hipocolesterémicos. Cerca de 20 a 25% do AG saturados da gordura do leite (C4:0 a C10:0 e o ácido estereárico – C18:0), são neutros relativamente ao metabolismo do colesterol.

Os conjugado do ácido linoleico (CLA) referem-se a um conjunto de isómeros geométricos e posicionais do ácido linoleico. Dos diversos isómeros aquele que se encontra em maior concentração na gordura do leite (+ de 90% do total) é o vulgarmente designado por ácido ruménico (C18:2 cis-9,trans-11). Em modelos animais, este isómero inibe o desenvolvimento da aterosclerose, atenua reacções alérgicas, melhora a resposta imunitária do organismo, possui propriedades anti-diabéticas e inibe a carcinogénese. O ácido ruménico é produzido directamente no rúmen (10 a 20% do total) por biohidrogenação do ácido linoleico da dieta e nos tecidos animais (80 a 90%) por acção da enzima delta-9 dessaturase, sobre o ácido vacénico (C18:1 trans-11) produzido em quantidades significativas no rúmen por biohidrogenação dos AGPI da dieta. Independentemente da dieta, os ácidos ruménico e vacénico estão positivamente correlacionados na gordura do leite. Este facto é importante, porque estudos com humanos demonstraram que a ingestão de uma dieta rica em ácido vacénico provocou um aumento de 25% na concentração sanguínea de ácido ruménico, o que sugere que a enzima delta-9 dessaturase exerce actividade no organismo humano.

Com vista à valorização nutricional e dietética dos produtos lácteos, o objectivo deverá ser diminuir a fracção hipercolesterémica (AGS de cadeia média) da gordura do leite e aumentar a fracção hipocolesterémica (AGMI e AGPI) assim como os ácidos gordos com potencial acção anticarcinogénica (ruménico e vacénico). A estratégia mais rápida e eficaz para conseguir este objectivo é através da manipulação da dieta das vacas em lactação, quer pela alimentação em pastoreio, quer pela suplementação com óleos vegetais.

Genericamente a dieta baseada no pastoreio melhora o valor dietético da gordura do leite, aumentando a concentração dos AG que exercem efeito benéfico sobre a saúde e diminuindo a concentração dos AG que exercem efeito negativo.

Poderá concluir-se que os lacticínios produzidos com base no pastoreio possuem um perfil de ácidos gordos com características intrínsecas que os diferenciam positivamente dos mesmos provenientes de sistemas de produção mais intensivos.

Oldemiro A. Rego, Influência da dieta sobre o perfil dos ácidos gordos da gordura do leite de vaca.

In Vida Rural nº 1754, ano 57 Fevereiro de 2010, pp. 30-32

publicado por Santos Vaz às 21:06

Espádua-a-dentro é um exercício em duas pistas no qual o cavalo se encurva uniformemente da cabeça ao rabo, delocando-se paralela mente a si mesmo. Os ombros e os anteirores saem da pista, mantendo-se nela os posteriores. O ângulo em relação à direcção do movimento não deve exceder os 30º.

  

publicado por Santos Vaz às 18:06

Esta disciplina exige alguns conhecimentos para que possa ser devidamente apreciada pela generalidade dos seus espectadores. É reconhecidamente a base de toda a Equitação. No essencial, exige uma ligação perfeita entre cavalo e cavaleiro demonstrada perante um Júri que aos diferentes exercícios atribui classificações conforme critérios bem definidos e de grande rigor.
A atitude do cavalo, a submissão ao cavaleiro, a calma, a correcção e amplitude dos movimentos correspondentes aos diversos exercícios a que se adiciona no que respeita ao cavaleiro que se deve apresentar com irrepreensível indumentária, perfeita postura e exercendo as acções de comando de uma forma quase imperceptível, contam para uma classificação por pontos, atribuída por juízes, regulamentarmente posicionados na pista.
Os testes de nível inferior realizam-se numa pista de 40 x 20 m, enquanto que as competições internacionais e as de nível médio utilizam uma pista de 60 x 20.

publicado por Santos Vaz às 18:04

 

Regulamento Relativo às Normas sobre Reprodução Animal, Livros Genealógicos e Contrastes Funcionais

Ministério da Agricultura e Pescas, Secretaria de Estado do Fomento Pecuário
Direcção Geral dos Serviços Pecuários
Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1977

Contraste de “performances” de bovinos de carne
O performance test é uma prova individual que visa os seguintes caracteres:
O tipo;
A velocidade de crescimento;
A conversão alimentar.
(…)
A velocidade de crescimento, pelo ganho médio diário em peso vivo no período de duração do teste;
A conversão alimentar, pela quantidade de matéria seca ingerida por quilograma de peso vivo ganho durante o teste.
Os animais a testar serão recrutados em manadas inscritas no livro genealógico ou no registo zootécnico, multiplicadas em raça pura e onde se proceda à sistemática e oportuna identificação dos vitelos nascidos e à sua pesagem à nascença, três e cinco meses.
O recrutamento será feito quando os vitelos têm idades compreendidas entre os cinco e os seis meses.
A entrada no centro de testagem é precedida de exame sanitário e zootécnico. Neste último aspecto importa que os animais obedeçam ao padrão morfológico da raça e exibam bom desenvolvimento e correcta conformação.
Após a entrada no centro de testagem, os animais serão mantidos em regime de habituação ao manejo estabelecido para o teste durante o período de vinte e um dias.
O regime alimentar durante o período de testagem é o seguinte:
Palha de trigo ou feno – 2 kg/dia
Alimento composto completo – ad libitum
(…)
Com base nos elementos referidos nos nºs 2 e 3, os animais são pontuados e classificados, destinando-se à inseminação artificial os mais valorizados, e os restantes, quando aprovados, à cobrição natural, de acordo com o nível zootécnico das explorações.
publicado por Santos Vaz às 18:03

Tem por base a venda do vitelo entre os 6 meses e o ano de idade; acontece nas zonas de extensivo onde os alimentos invernais ou estivais são em pouca quantidade e qualidade o que provoca a venda de vitelos para engordadores. Caracteriza-se por uma menor eficiência energética quando comparamos com explorações leiteiras, pois requer 2 fases de transformação: os alimentos em leite, e o leite em tecido corporal. A vantagem está que as vacadas produtoras de vitelos, por serem menos eficientes tb utilizam alimentos mais grosseiros. Conclui-se assim que efectivos bovinos explorados nas zonas marginais são animais muito eficientes para as condições que se lhes deparam.

publicado por Santos Vaz às 18:02

 

Constituição dos Testículos dos Touros

O aparelho genital masculino é constituído por:
1. Testículos – alojados nas bolsas testiculares, têm uma função espermatogénica e uma função endócrina.
2. Vias espermáticas – sistema tubular que conduz, nutre, protege e armazena os espermatozóides, encaminhando-os junto com os produtos das glândulas anexas para o órgão copulador;
3. Glândulas anexas – glândulas vesiculares, próstata e glândulas bulbo-uretrais, cujas secreções têm um papel importante no metabolismo dos espermatozóides e que contribuem para a formação do sémen;
4. Órgão copulador – durante o coito introduz o sémen nas vias genitais femininas.

Os testículos são órgãos pares, ovóides, alongados, achatados lateralmente e de dimensões variáveis com o meio e com a idade. No touro cada testículo pesa entre 300 a 600g. São suportados pelo funículo espermático, sendo o esquerdo geralmente mais descaído do que o direito. Em cada testículo há a considerar dois bordos, um livre e um fixo, ao qual adere o epidídimo e duas extremidades ou pólos, a anterior ou dorsal e a posterior ou ventral. Cada testículo está rodeado pela túnica serosa, subjacente à qual existe uma cápsula de tecido conjuntivo formada de fibras colagénias e elásticas de cor esbranquiçada designada túnica albugínea. Esta reflecte-se para o interior do órgão ao longo do seu bordo fixado formando o mediastino testicular ou corpo de Highmore, que tende a dispor-se numa localização central. Alberga segmentos de sistema canicular, dos vasos e dos nervos testiculares. Do mediastino para a face interna da albugínea partem lamelas divergentes que delimitam o parênquima testicular em lóbulos coniformes, verdadeiras unidades funcionais do testículo. Em cada lóbulo existem dois a quatro tubos seminíferos, nos quais as células germinais se mutiplicam e convertem em espermatozóides. Os tubos seminiferos com um diâmetro de 200 a 300µm e muito flexuosos, são mantidos por um tecido conjuntivo reticular. A sua parede possui externamente uma lâmina própria, resistente, de fibras conjuntivas dispostas concentricamente e uma membrana asal ou vítrea, sobre a qual repousa um epitélio com diversas camadas de células de dois tipos fundamentais – as espermatogénicas e as de suporte ou de Sertoli. Nas espécies pecuárias maiores, como é o caso dos bovinos, o comprimento total dos tubos seminíferos estará entre os 3000 e os 8000 m, representando 60 a 80% do volume total da gónada. O estroma do lóbulos testicular comporta ainda um conjunto de células secretoras designadas células intersticiais ou de Leydig (Cannas Simões, 1984).
publicado por Santos Vaz às 18:00

Diagnóstico precoz de Freemartinismo en ganado vacuno

Los animales Freemartin son hembras genéticas en el momento de la concepción, pero que al proceder de gestaciones gemelares con macho y debido al sistema de placentación de la vaca que presenta en la mayor parte de los casos intercomunicaciones vasculares entre los sacos corioatlantoideos, se convierten en quimeras o mosaicos ya que poseen células con diferente dotación cromosómica. Fenotípicamente se trata de animales que sufren una inhibición en los órganos reproductores femeninos que les conduce a la esterilidad. Aproximadamente el 88-92% de las hembras nacidas gemelas de macho presentan intersexualidad.

http://www.xeneticafontao.com/02_laboratorio/laboratorio.htm

 

publicado por Santos Vaz às 17:59

A transferência de embriões (T.E.) é uma técnica de maneio reprodutivo, pela qual um ou mais embriões é ou são recolhidos de uma fêmea (dadora), e transferido para outra fêmea (receptora), na qual ocorrerá a gestação e o parto.
A transferência de embriões tem permitido aumentar o número de descendentes dos melhores animais na própria exploração e tem contribuído para uma comercialização de embriões entre explorações provocando assim um ganho genético global.


Selecção da Dadora
Para assegurar a superioridade genética, assim como a possibilidade de obter embriões viáveis, a selecção das dadoras deve obedecer aos seguintes critérios:

Exploração:
– Bom maneio, com especial atenção ao maneio reprodutivo;
– Ausência de doenças (Doenças de Declaração Obrigatória e outras tais como: IBR, BVD, Neospora, etc...;
– Boa colaboração do criador.

Dadoras:
– Geneticamente superiores (5% melhores da exploração)
– Fêmeas preferencialmente com sucesso em tratamentos anteriores;
– Fêmeas Jovens;
– Fêmeas isentas de anomalias de conformação ou doenças genéticas;
– Fêmeas com ciclos éstricos (cios) regulares;

Selecção do Touro de Inseminação
Tal como a selecção da dadora, a selecção do touro é de extrema importância para que haja ganho genético na descendência.
Um emparelhamento correcto com um touro de elite deve ser bem ponderado, pois por superior que seja a fêmea seleccionada, certamente terá aspectos a melhorar.
No emparelhamento deve evitar-se touros de dificuldade de partos, uma vez que são preferencialmente seleccionadas as novilhas para receptoras.

Selecção das Receptoras
As fêmeas seleccionadas para receptoras devem ser sempre de baixo valor genético, desta forma não só aumentamos a descendência dos melhores exemplares como diminuímos o número de descendentes dos piores.
A taxa de gestações é superior se utilizarmos novilhas visto em média terem taxas de fertilidade superiores.

publicado por Santos Vaz às 17:57

Muitos dos medicamentos são administrados pela via oral, transcutânea, mas também pela injecção. Entre as injecções, as vias mais utilizadas são as subcutâneas (SC) e as intermusculares (IM). Existem igualmente outras vias, contudo são utilizadas genericamente no foro veterinário.
A Subcutânea e a intermuscular são actualmente as injecções que são indiscriminadamente utilizadas pelos criadores ou pelos tratadores de gado, muitas vezes mal efectuadas, que levam o stress ao animal, sem respeitar o bem-estar animal. É indispensável a pratica de injecções em boas condições.
Em todo o caso, parece-nos imprescindível para a realização de uma intervenção, uma boa contenção do animal, com a ajuda de uma manga de contenção. Verificamos que em muitas explorações esta realidade básica não existe, indispensável para a segurança de todos.

VIA SUBCUTÂNEA

Definição
Estas injecções consistem em administrar dentro do tecido conjuntivo subcutâneo, um produto que se dispersa lentamente no organismo.
Objectivo
Em uma forma geral esta via utiliza-se para as vacinas, que ao dispersarem-se lentamente no organismo, vão assegurar a criação de anticorpos que previnem as doenças. As injecções subcutâneas têm uma acção preventiva. A prevenção, de uma forma geral, é de seis meses a um ano, utilizando-se o rappel para voltar a reforçar a quantidade de anticorpos por mais um período de tempo.
Outros produtos administrados frequentemente pela via subcutânea são os desparasitantes, soros, no entanto, não respondem na sua utilização à definição e aos objectivos deste tipo de via.

O material necessário
– Uma seringa estéril com o volume apropriado à injecção.
– Agulhas esterilizadas curtas de 10 a 15 mm, com um diâmetro de 10 a 13/10, segundo a viscosidade do produto utilizado.
– Álcool e algodão.
– Um marcador.

A localização
No Adulto ou no jovem bovino, as diferentes localizações são as mesmas. Com o objectivo de ter em conta a diminuição dos riscos de criação de abcessos (segundo o produto utilizado), que não tem qualquer impacto negativo na vida do animal, mas com uma aparência negativa para os visitantes, é aconselhável a realização das injecções com a seguinte prioridade:

1. Ao nível da barbela (antes da ponta da espádua),
2. Sobre a fase lateral da tábua do pescoço,
3. No pós espádua.
As localizações são também a definir pelo operador, consoante o tipo de contenção utilizado.

Técnica a utilizar
É fortemente aconselhado proceder a uma desinfecção no ponto de impacto da agulha, de forma a diminuir os agentes patogénicos no local, prevenindo assim, futuras complicações. Puxar a pele, picar perpendicularmente a pele, largar a pele, injectar lentamente o produto e colocar o dedo sobre o orifício na pele para que o produto não retorne, são os pontos sequenciais a seguir pelo operador.
As injecções pela via subcutânea são difíceis de executar correctamente. Injectar bolhas de ar não tem qualquer importância. Deve-se evitar vacinar um animal doente.

VIA INTRAMUSCULAR

Definição
É uma administração no meio da massa muscular de um produto que será absorvido rapidamente pelos capilares sanguíneos.

Objectivo
A via intermuscular é utilizada para injectar os produtos curativos de eficiência rápida. Administram-se assim, os antibióticos, as vitaminas, anti-parasitários, certas hormonas ...

O material necessário
– seringa esterilizada ao volume apropriado da injecção.
– Agulhas esterilizadas de 30 a 40 mm de comprimento com um diâmetro de 10 a 15/10 segundo a fluidez do produto.
– Álcool e algodão.
– Um marcador.

A localização
O operador deverá privilegiar o terço superior do pescoço (1), sobretudo em jovens animais com destino ao abate (evita nervos e vertebras). As infecções neste local, têm uma incidência a nível económico reduzida, porque esta zona corresponde a peças de terceira categoria. Se esta zona não está disponível, ou por qualquer outra razão, poderá realizar a via intramuscular na região da garupa, a meia distância entre a ponta da anca e a base da pombinha para os animais em reprodução. Dever-se-á ter em atenção, que a permanência do animal na exploração por algum tempo, é um factor predominante para a utilização desta via nesta região. Um animal que o seu abate esteja previsto para breve, não deverá de ser injectado na garupa.

Técnica a utilizar
– Desinfectar o local de aplicação.
– Espetar a agulha perpendicularmente no músculo, posteriormente montar a seringa na agulha.
– Injectar lentamente o produto, retirando a agulha rapidamente, com o objectivo de colocar o dedo no orifício provocado pela agulha. É desejável antes de injectar o produto, verificar se a extremidade da agulha se encontra numa veia, aspirando. Se o sangue entra na seringa, retirar a agulha e voltar a executar a operação desviado do local 5 a 6 cm de distância.
Estas injecções são fáceis de realizar, contudo:
– Prevenir se não pica o osso,
– Evitar de injectar ar, para não correr o risco de provocar um meio anaeróbio favorável ao desenvolvimento de microorganismos na massa muscular, principalmente se o material não está convenientemente desinfectado.

Conselhos Práticos:
– Para escolha das agulhas: uma agulha 45/10 significa 45 mm de comprimento, e 1/10 de 1 mm de diâmetro interior.
– Para encher uma seringa de produto a partir de um frasco novo, despejar o ar da seringa no interior do frasco para que o produto penetra com facilidade no interior da seringa.
– Verificar o estado da agulha passando com o dedo pela extremidade desta. Deitá-la fora se arranha.
– Utilizar de preferência as agulhas e seringas esterilizadas. Após a intervenção, limpá-las rapidamente. A esterilização a frio é preferível. Limpar os jogos das seringas com óleo de silicone.
- Trocar agulhas após cada grupo de 5 a 10 animais.

publicado por Santos Vaz às 17:56

PADRÃO DA RAÇA
Caracteres gerais
Raça psiquicamente viva, morfologicamente de braquicefelia notória, eumétrica, mediolínea, de aloidismo ortoide e de tipo constitucional robusto e digestivo.
A forma corporal é rectangular nas fêmeas e nos machos jovens. Os machos adultos apresentam o terço anterior mais desenvolvido do que o posterior. A aparência é fina sem ser, contudo, frágil, uma vez que apresenta um forte caracter dinamoforo, nos tipos de montanha e, aparência mais robusta nos tipos de planície.
Caracteres regionais
A cabeça é curta, seca e expressiva, ampla na porção craneal e larga na porção facial. A fronte é larga e com uma ligeira depressão central, mais evidenciada devido às protuberâncias orbitárias. A marrafa é abundante de pêlos curtos e lisos e de cor avermelhada. A inserção dos cornos é de tipo ortocero, isto é, saindo lateralmente na horizontal, para de seguida se dirigirem para a frente e para baixo, de tal forma que o tronco do corno fica paralelo ao chanfro. As pontas dirigem-se para cima e para fora. Os olhos são grandes e ligeiramente salientes. As orelhas são bem inseridas. O chanfro é recto e o focinho é largo de cor preta e orlado de branco.
O pescoço, nos machos, é medianamente musculado e de bordo superior convexo; nas fêmeas é fino e direito. Para ambos os sexos, a barbela é bem desenvolvida, com pregas e de perfil contínuo desde o vértice do ângulo das entre ganachas, até ao cilhadouro.
O tronco é bem proporcionado, de cernelha ligeiramente saliente e linha dorso-lombar ligeiramente lordósica com a consequente elevação da região da cauda principalmente nos animais adultos. O peito é medianamente largo, o tórax é profundo e as costelas bem arqueadas. A garupa é larga na região bi-ilíaca e muito estreita na bi-isquiática. O ventre é grande e os flancos são extensos. A cauda é normalmente de inserção alta, medianamente grossa, de secção circular, e regularmente encabelada
O sistema mamário é regularmente desenvolvido com o úbere coberto de pêlos grandes e finos. Os tetos são grossos e com um desenvolvimento normalmente assimétrico.
Os membros são de longitude média, de ossos finos e de estrutura anatómica perfeita. As unhas são pequenas, duras e pigmentadas. Os aprumos são correctos.
A pele é medianamente elástica e grossa revestida de pêlos abundantes, grossos e lisos. As mucosas são pigmentadas.
A cor é, na sua origem, preta com listão dorsal avermelhado, embora predominem na actualidade, fêmeas castanhas, com graus de tonalidade escura em função das regiões corporais (pescoço, espádua e barbela, ventre e terço posterior.

SISTEMAS DE EXPLORAÇÃO
O bovino Maronês é explorado num sistema complexo de semi-estabulação, com um regime alimentar, também com domínio do pastoreio no caso dos animais adultos, e à estabulação permanente, com o consequente regime alimentar à manjedoura, para os animais jovens
A venda é efectuada por volta dos sete/oito meses, sendo normalmente nessa altura que o vitelo é desmamado.
A reprodução faz-se predominantemente por cobrição natural, normalmente com machos existentes em postos de cobrição particulares, a onde se deslocam as vacas.
O ritmo reprodutivo é o mais intensivo possível, sendo as novilhas cobertas logo que atinjam um patamar de desenvolvimento tido como “razoável” (dos 14 aos 18meses) e as vacas predominantemente cobertas ao 1º cio pós-parto.
Os partos distribuem-se ao longo de todo o ano, embora com alguma irregularidade mensal.


 

ÁREA DE EXPLORAÇÃO
A base geográfica da exploração da raça bovina Maronesa, engloba fundamentalmente, duas regiões naturais – a do Alvão-Marão e a da Padrela (concelhos de, Alijó, Mondim de Basto, Murça, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e Vila Real, e, ainda, parte dos concelhos de Amarante, Boticas, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Chaves, Montalegre e Valpaços).

CARACTERÍSTICAS PRODUTIVAS E REPRODUTIVAS
Pesos de carcaça aos 7 meses, isto é ao desmame, de 98 Kg.
Grandes facilidades de parto (apenas 5,3% dos partos necessitam de ajuda, representando a ajuda veterinária, apenas 2,9%) tem elevados dotes maternais com capacidade láctea mais que suficiente para permitir um bom ritmo de crescimento da cria.
Cerca de 44,8 % das vacas a atingem o 10º parto.LIVRO GENEALÓGICO

MELHORAMENTO
As acções de Melhoramento são conduzidas pela Associação de Criadores do Maronês, entidade gestora do Registo Zootécnico da Raça, sob tutelo da DGV, e visam à melhoria sistemática das características, que na actualidade têm maior valor económico, concretamente:
– no segmento mãe, a adaptação ao meio, traduzida pela precocidade sexual, o intervalo entre partos e as qualidades maternas;
– no segmento pai, o perfil étnico, a fertilidade, a velocidade de crescimento e o rendimento e a qualidade da carcaça;
– no segmento filho, o peso ao desmame e a qualidade e rendimento em carne.
– O programa de melhoramento serve-se da informação produtiva e reprodutiva recolhida nas explorações e da classificação da carcaça e o seu rendimento em carne no matadouro.
A preservação e o melhoramento da raça Maronesa estão a cargo da Associação de Criadores do Maronês (ACM. Na actualidade, a associação, que representa praticamente a totalidade dos 2 000 criadores, assume um papel fundamental na prestação de vários serviços, com destaque para a gestão do livro genealógico da raça, isto é, registo no livro de nascimentos e livro de adultos dos animais e suas genealogias, identificação ao nascimento de todos os animais puros por protocolo com o SNIRB, definição de objectivos e implementação de métodos com vista ao melhoramento genético com destaque para a inseminação artificial com sémen de touros testados, controlo de performances reprodutivas em todo o efectivo e produtivas, por pesagem regulares, em 70% das crias, organização de concursos pecuários e recria de reprodutores masculinos.

O Agrupamento de Produtores “CARNE MARONESA - DOP” é uma secção especializada da Cooperativa Agrícola de Vila Real, que engloba os criadores acreditados para a produção de carne certificada, isto é, que exploram os animais “em raça pura” e em sistema natural de produção, com um regime alimentar constituído exclusivamente de produtos da exploração privada ou em áreas baldias circundantes e segundo o cumprimento integral das regras de bem estar animal.
Este agrupamento tem por missão a gestão da marca “CARNE MARONESA”, isto é, a aquisição dos animais aos produtores credenciados, o abate desses mesmos animais, a desmancha e embalagem em vácuo das suas carcaças, no matadouro da zona demarcada, e a comercialização directa aos consumidores (Coop. Agrícola de Vila Real, Abambres) ou a estabelecimentos credenciados para o efeito (talhos, restaurantes, etc.).

A carne bovina maronesa com denominação de origem protegida, designada comercialmente por CARNE MARONESA – DOP, é um produto, com características sensoriais, nutritivas e hígio-sanitárias de elevada qualidade, resultante da união* feliz de três vectores: um genótipo, corporizado na raça bovina maronesa, uma região, delimitada pelas serranias do Marão – Alvão – Padrela e um modo de produção diferenciado e amigo do ambiente.
As características desta carne são, na vitela, a cor rosa, com alguma gordura uniformemente distribuída e de cor branca, no novilho, com cor vermelha clara com moderada gordura intramuscular de cor marfim e músculo de grão finíssimo, com consistência firme e ligeiramente húmido; e na vaca, com cor vermelha escura, com forte gordura intramuscular de cor marfim e músculo com consistência firme e húmido. O aroma é simples e delicado, a suculência é extraordinária e o “flavor” é excepcional, proporcionando sensações olfactivas e gustativas ímpares.
O produto apresenta-se num mercado especial em meias carcaças ou desmanchada em porções específicas embaladas em vácuo, devidamente rotulada, isto é, com identificação do matadouro, rótulo do agrupamento de produtores e selo de certificação, e segundo três grandes tipos:
- vitela – carne proveniente de animais abatidos entre os 5 e os 9 meses de idade, com peso de carcaça entre os 75 e os 130 kg;
- Novilho – carne proveniente de animais abatidos entre os 9 e os 24 meses de idade, com um peso de carcaça mínimo de 130 kg
- Vaca – carne de animais abatidos entre os 2 e os 4 anos de idade com peso de carcaça entre os 200 e 300 kg.


O regime de maneio é misto de estabulação e pastoreio, que garante o bem-estar animal. A estabulação faz-se em cortes ou lojas tradicionais, com camas de palha e mato, num acrescento permanente que visa manter os animais comodamente instalados e produzir estrume para a fertilização dos solos agrícolas.
A dieta dos animais adultos é constituída por produtos cultivados e ervas e arbustos naturais dos terrenos baldios ou prados privados. As crias estão permanentemente estabulados e mamam até aos 7-8 meses.

publicado por Santos Vaz às 17:54

 

Uma NECESSIDADE pelas características diversas do alimento de origem animal que produzem e uma EXIGÊNCIA pela animação do Meio Rural
 

1 - Há formas diversas de produzir o mesmo tipo de alimento de origem animal, reflectindo-se estas formas nas características e organização tecidual do produto final: leite, carne, conservados e transformados. O Consumidor no mercado especial ou em mercados abertos a produtos com origens diversas (grandes superfícies) escolherá o alimento de origem animal que mais o satisfaça em função do preço ou das suas características diversas, estas a gerarem a sua apetência face a gostos, odores e flavores diferentes.
Reforça-se a ideia de que há formas diversas de produzir, todas elas com características próprias e exigências adequadas aos sistemas de produção animal a implantar. Em todos os sistemas, intensivos versus naturais, é essencial que se aumente a eficiência produtiva, eliminando os períodos improdutivos do animal e se procurem custos de produção mais competitivos. Enfim, há que saber produzir, defendendo a Imagem Pública da Produção Animal. Há que saber fazer marketing ou saber vender com valor acrescentado que justifique as diferenças no alimento que se vende e na forma de produzir, nomeadamente no caso de sistemas de produção animal naturais e extensivos em que o que está em causa é o aproveitamento de recursos locais genéticos, alimentares ou os dois em conjunto. O "beef" da erva e o porco da bolota, são exemplos.
Em todos os objectivos diferenciados de produção animal, há que Saber Produzir e, se possível, dar dimensão às estruturas de produção, incluindo nestas, para as áreas do minifúndio, a organização, como exploração pecuária, das Associações de Produtores, a assumirem a debilidade estrutural de quem produz e se possível, especializarem funções produtivas entre os seus membros. Há que dar vida ao Mundo Rural nestas condições específicas de produção. Ter gente neste Mundo Rural torna-se uma exigência, para se evitar a desertificação e a má imagem do cenário rural.

2- Os Sistemas Intensivos de Produção ou Indústria Animal procuram, através da maximização da eficiência biológica e zootécnica, a produção massal de alimentos. O Homem manipula o sistema de produção e obtém mais produto animal para a mesma quantidade de alimento ingerido, obtendo assim custos de produção mais competitivos e contribuindo largamente para o mercado de abastecimento caracterizado pela procura generalizada de alimentos. Os Sistemas Locais de produção animal ou a arte de produzir são a outra forma de produzir e dirigem-se a mercados restritos, contribuindo para a oferta limitada de alimentos de origem animal de escolha. Dirigem-se a nichos de consumidores. O Homem observa estes sistemas de produção animal que promovem a utilização de recursos locais renováveis (animais e alimentos). Tem a ver obviamente com o Desenvolvimento do Meio Rural. A capacidade de oferta e não da procura, dimensiona a necessidade de produzir nestas condições. A eficiência do sistema produtivo exige outra interpretação biológica e zootécnica!
São sistemas de produção animal complementares, porque são diferentes e exigem tecnologias apropriadas e adaptadas ao sistema de produção. Os objectivos biológicos e tecnológicos determinam as diferenças entre estes sistemas de produção animal, que geram necessariamente e sempre produtos (alimentos) de alta qualidade. São sistemas de produção animal que, em todas as circunstâncias, devem ser amigos do ambiente e não agredirem a saúde pública.
3 - Ao programar o desenvolvimento da Pecuária Nacional (Programa Nacional de Desenvolvimento Pecuário) há que considerar estas duas situações de produção, conjugando apoios dirigidos e necessariamente diferentes, nomeadamente, em termos financeiros: apoios à Pecuária Indústria (tornar competitivos os custos de produção e à Pecuária Arte, (destacar e reforçar as diferenças). A Pecuária Arte tem, necessariamente, face às nossas condições de produção de ser considerada, também, como Serviço (dinamizar e dar vida ao Meio Rural, promover a diversidade da Paisagem Rural e manter a Biodiversidade). Há que identificar o que queremos e como o podemos ter com a gente que temos. A diversidade e potencialidades de Meios de Produção e a organização produtiva dos mesmos é diversa na UE. Os recursos a considerar e a aproveitar, nos Países do Sul da Europa, impostos pela tradição, cultura e diversidade são uma forma de apego (fixação) de gente ao Meio Rural, argumento de grande peso e visão humanista na economicidade das circunstâncias. Os indicadores a utilizar, em termos comparativos e relativos entre Países da UE, terão que expressar intervenções adequadas aos objectivos diferenciados. Neste domínio a pecuária das raças autóctones, para além da conquista do valor acrescentado para o que se sabe vender e das aplicações das medidas agro-ambientais, fruto discutível de uma visão e filosofia generalizada do que não é generalizável na UE, terá de viver com apoio dirigido e sentido da política para o Programa Nacional de Desenvolvimento Pecuário. Defender o que se tem, promover o que se produz (até pensar em mercados internacionais!) e dar qualidade de vida a quem vive, no Meio Rural, torna-se indispensável. Há que considerar a estrutura da produção animal. Ter mais gente vocacionada, feliz e apaixonada no Meio Rural é contribuir para o Bem Estar Nacional.
Há que estabelecer e organizar o controle do que se vende por forma a permitir assegurar as diferenças, garantindo a genuidade do alimento que se vende e que dá prazer e satisfação a quem compra. Há que variar para não limitar a capacidade de escolha pelo Consumidor! Há que defender a genuidade da escolha, controlando como se faz e que origem tem o alimento de origem animal.

4 - Os sistemas naturais de produção pecuária (tipo extensivo), maximizando o uso instalado das raças autóctones promoverá o que todos sentimos como necessário e como preocupação sentida: o desenvolvimento do Meio Rural, a complementar e ornamentar o desenvolvimento económico do País, a perseguir outras metas e outros indicadores em outras circunstâncias de produção.
Na Era Tecnológica do Futuro em produção animal há espaço para defender e cultivar a produção local, a produção das raças autóctones, pela riqueza nutricional dos alimentos que origina, respondendo à riqueza das nossas tradições e à cultura da nossa gastronomia. Apoiar este desenvolvimento da pecuária nacional torna-se uma preocupação de sempre, a necessitar que haja apoios diferenciados à mesma produção, que estimulem, no local próprio, a preferência por esta produção. Há que dar-lhe continuidade e esperança, assegurando que é um desafio fazê-la, necessariamente, por agricultores mais novos (garantir continuidade) pois estes têm de sentir que, através dela, adquirem Qualidade de Vida.
Não somos País rico mas somos País consciente de que sabemos distribuir a riqueza pelas necessidades sentidas na Sociedade do Mundo Rural. Daí a nossa especificidade a determinar tratamento adequado às nossas circunstâncias de produção animal nestas condições face aos desejos de evolução social.
5 - A Política Agrícola do País deve sentir a necessidade desta produção animal, feita à base das raças autóctones criar apoios que assegurem a segurança e o entusiasmo de quem produz ou vem a suceder a quem produz. Considerem-se que medidas agro-ambientais da política comunitária são importantes mas não devem ser exclusivas. Há o caso nacional a defender e há que melhorar e dirigir Meios à especificidade deste tipo de produção, rico no Sul da Europa e vestindo características próprias.
A constatação de existirem diferentes condições naturais (sistemas de produção animal a privilegiar), estruturais de produção (dimensão das explorações) e sócio-económicas (In-put por capita) entre Países do Sul da Europa e do Norte e Centro da Europa há que assegurar, por razões nacionais, a necessidade de defender e organizar esta produção natural à base das raças autóctones. Há que conjugar Política Agrícola da UE e Política Agrícola Nacional nestes domínios por forma a dar outro amparo e justiça ao que se justifica como uma preocupação para a pecuária nacional: a produção de alimentos de origem animal de características diferentes. Estes alimentos são, necessariamente, provenientes da produção das raças autóctones, cuja dimensão populacional é limitada pelos recursos renováveis e locais que sustentam a produção animal. Não é pela expressão numérica das mesmas populações animais que surgem as nossas preocupações, mas sobretudo pela organização, natureza e características do que produzem e pela sua importância, em termos de vantagens comparativas, para o que se tem que produzir nas nossas condições do Meio Rural.
A manutenção da Biodiversidade e a animação do Meio Rural tem custos que há que suportar, pois Agricultura é também Serviço. É urgente que repensemos a Forma Nacional de estar na componente animal da Agricultura ("animal agriculture"). A defesa das Raças Nacionais Autóctones seja, sem perda de tempo, uma das prioridades nacionais para a Agricultura que queremos fazer, diria, permitam-me, que queremos defender.

Apolinário Vaz Portugal
publicado por Santos Vaz às 17:36

As evidências arqueológicas disponíveis indicam que os bovinos foram domesticados na região oriental do Mediterrâneo e do Médio Oriente há cerca de 10 000 anos atrás (Anderung, 2006, citado por Sousa e Sanchéz, 2009). A comprovação da presença de animais domésticos provém do Chipre e estão datados de 8200-7500 a.C. Nesta descoberta considerou-se que estes animais permaneceram numa situação de pré-domesticação (Vigne et al., 2000, citado por Sousa e Sanchéz, 2009).

publicado por Santos Vaz às 17:17

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