13 de Fevereiro de 2010

A composição da gordura do leite das espécies ruminantes caracteriza-se por uma enorme complexidade.

Relativamente ao perfil dos ácidos gordos , cerca de 65% são saturados (AGS), 30% mono-insaturados (AGMI) e 5% polinsaturados (AGPI). Contabilizam-se ácidos gordos (AG) de cadeia curta (C4:0 a C12:0), AG de cadeia média (C14:0 a C17:0) e de cadeia longa (>C18:0). Muitos são específicos destas espécies animais, como alguns de cadeia curta (C4:0 a C8:0), de cadeia ímpar (C15:0, C17:0, e C17:1) e de cadeia ramificada com origem nos lípidos microbianos ruminais, bem como diversos isómeros cis e trans do ácido oleico e do ácido linoleico com origem na biohidrogenação ruminal dos AGMI e AGPI da dieta. Além da classificação estrutural (comprimento da cadeia carbonada, ou quanto ao grau de saturação), os AG da gordura do leite podem ainda ter uma classificação funcional, relativa ao metabolismo do colestrol. Está bem estabelecido que os AG saturados de cadeia média, láurico (C12:0), mirístico (C14:0) e palmítico (C16:0) exercem efeitos hipercolesterémicos , enquanto que os AG de cadeia longa, AGMI (ácido oleico) e AGPI (linoléico e linolénico) são hipocolesterémicos. Cerca de 20 a 25% do AG saturados da gordura do leite (C4:0 a C10:0 e o ácido estereárico – C18:0), são neutros relativamente ao metabolismo do colesterol.

Os conjugado do ácido linoleico (CLA) referem-se a um conjunto de isómeros geométricos e posicionais do ácido linoleico. Dos diversos isómeros aquele que se encontra em maior concentração na gordura do leite (+ de 90% do total) é o vulgarmente designado por ácido ruménico (C18:2 cis-9,trans-11). Em modelos animais, este isómero inibe o desenvolvimento da aterosclerose, atenua reacções alérgicas, melhora a resposta imunitária do organismo, possui propriedades anti-diabéticas e inibe a carcinogénese. O ácido ruménico é produzido directamente no rúmen (10 a 20% do total) por biohidrogenação do ácido linoleico da dieta e nos tecidos animais (80 a 90%) por acção da enzima delta-9 dessaturase, sobre o ácido vacénico (C18:1 trans-11) produzido em quantidades significativas no rúmen por biohidrogenação dos AGPI da dieta. Independentemente da dieta, os ácidos ruménico e vacénico estão positivamente correlacionados na gordura do leite. Este facto é importante, porque estudos com humanos demonstraram que a ingestão de uma dieta rica em ácido vacénico provocou um aumento de 25% na concentração sanguínea de ácido ruménico, o que sugere que a enzima delta-9 dessaturase exerce actividade no organismo humano.

Com vista à valorização nutricional e dietética dos produtos lácteos, o objectivo deverá ser diminuir a fracção hipercolesterémica (AGS de cadeia média) da gordura do leite e aumentar a fracção hipocolesterémica (AGMI e AGPI) assim como os ácidos gordos com potencial acção anticarcinogénica (ruménico e vacénico). A estratégia mais rápida e eficaz para conseguir este objectivo é através da manipulação da dieta das vacas em lactação, quer pela alimentação em pastoreio, quer pela suplementação com óleos vegetais.

Genericamente a dieta baseada no pastoreio melhora o valor dietético da gordura do leite, aumentando a concentração dos AG que exercem efeito benéfico sobre a saúde e diminuindo a concentração dos AG que exercem efeito negativo.

Poderá concluir-se que os lacticínios produzidos com base no pastoreio possuem um perfil de ácidos gordos com características intrínsecas que os diferenciam positivamente dos mesmos provenientes de sistemas de produção mais intensivos.

Oldemiro A. Rego, Influência da dieta sobre o perfil dos ácidos gordos da gordura do leite de vaca.

In Vida Rural nº 1754, ano 57 Fevereiro de 2010, pp. 30-32

publicado por Santos Vaz às 21:06

 

Regulamento Relativo às Normas sobre Reprodução Animal, Livros Genealógicos e Contrastes Funcionais

Ministério da Agricultura e Pescas, Secretaria de Estado do Fomento Pecuário
Direcção Geral dos Serviços Pecuários
Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1977

Contraste de “performances” de bovinos de carne
O performance test é uma prova individual que visa os seguintes caracteres:
O tipo;
A velocidade de crescimento;
A conversão alimentar.
(…)
A velocidade de crescimento, pelo ganho médio diário em peso vivo no período de duração do teste;
A conversão alimentar, pela quantidade de matéria seca ingerida por quilograma de peso vivo ganho durante o teste.
Os animais a testar serão recrutados em manadas inscritas no livro genealógico ou no registo zootécnico, multiplicadas em raça pura e onde se proceda à sistemática e oportuna identificação dos vitelos nascidos e à sua pesagem à nascença, três e cinco meses.
O recrutamento será feito quando os vitelos têm idades compreendidas entre os cinco e os seis meses.
A entrada no centro de testagem é precedida de exame sanitário e zootécnico. Neste último aspecto importa que os animais obedeçam ao padrão morfológico da raça e exibam bom desenvolvimento e correcta conformação.
Após a entrada no centro de testagem, os animais serão mantidos em regime de habituação ao manejo estabelecido para o teste durante o período de vinte e um dias.
O regime alimentar durante o período de testagem é o seguinte:
Palha de trigo ou feno – 2 kg/dia
Alimento composto completo – ad libitum
(…)
Com base nos elementos referidos nos nºs 2 e 3, os animais são pontuados e classificados, destinando-se à inseminação artificial os mais valorizados, e os restantes, quando aprovados, à cobrição natural, de acordo com o nível zootécnico das explorações.
publicado por Santos Vaz às 18:03

Tem por base a venda do vitelo entre os 6 meses e o ano de idade; acontece nas zonas de extensivo onde os alimentos invernais ou estivais são em pouca quantidade e qualidade o que provoca a venda de vitelos para engordadores. Caracteriza-se por uma menor eficiência energética quando comparamos com explorações leiteiras, pois requer 2 fases de transformação: os alimentos em leite, e o leite em tecido corporal. A vantagem está que as vacadas produtoras de vitelos, por serem menos eficientes tb utilizam alimentos mais grosseiros. Conclui-se assim que efectivos bovinos explorados nas zonas marginais são animais muito eficientes para as condições que se lhes deparam.

publicado por Santos Vaz às 18:02

Diagnóstico precoz de Freemartinismo en ganado vacuno

Los animales Freemartin son hembras genéticas en el momento de la concepción, pero que al proceder de gestaciones gemelares con macho y debido al sistema de placentación de la vaca que presenta en la mayor parte de los casos intercomunicaciones vasculares entre los sacos corioatlantoideos, se convierten en quimeras o mosaicos ya que poseen células con diferente dotación cromosómica. Fenotípicamente se trata de animales que sufren una inhibición en los órganos reproductores femeninos que les conduce a la esterilidad. Aproximadamente el 88-92% de las hembras nacidas gemelas de macho presentan intersexualidad.

http://www.xeneticafontao.com/02_laboratorio/laboratorio.htm

 

publicado por Santos Vaz às 17:59

PADRÃO DA RAÇA
Caracteres gerais
Raça psiquicamente viva, morfologicamente de braquicefelia notória, eumétrica, mediolínea, de aloidismo ortoide e de tipo constitucional robusto e digestivo.
A forma corporal é rectangular nas fêmeas e nos machos jovens. Os machos adultos apresentam o terço anterior mais desenvolvido do que o posterior. A aparência é fina sem ser, contudo, frágil, uma vez que apresenta um forte caracter dinamoforo, nos tipos de montanha e, aparência mais robusta nos tipos de planície.
Caracteres regionais
A cabeça é curta, seca e expressiva, ampla na porção craneal e larga na porção facial. A fronte é larga e com uma ligeira depressão central, mais evidenciada devido às protuberâncias orbitárias. A marrafa é abundante de pêlos curtos e lisos e de cor avermelhada. A inserção dos cornos é de tipo ortocero, isto é, saindo lateralmente na horizontal, para de seguida se dirigirem para a frente e para baixo, de tal forma que o tronco do corno fica paralelo ao chanfro. As pontas dirigem-se para cima e para fora. Os olhos são grandes e ligeiramente salientes. As orelhas são bem inseridas. O chanfro é recto e o focinho é largo de cor preta e orlado de branco.
O pescoço, nos machos, é medianamente musculado e de bordo superior convexo; nas fêmeas é fino e direito. Para ambos os sexos, a barbela é bem desenvolvida, com pregas e de perfil contínuo desde o vértice do ângulo das entre ganachas, até ao cilhadouro.
O tronco é bem proporcionado, de cernelha ligeiramente saliente e linha dorso-lombar ligeiramente lordósica com a consequente elevação da região da cauda principalmente nos animais adultos. O peito é medianamente largo, o tórax é profundo e as costelas bem arqueadas. A garupa é larga na região bi-ilíaca e muito estreita na bi-isquiática. O ventre é grande e os flancos são extensos. A cauda é normalmente de inserção alta, medianamente grossa, de secção circular, e regularmente encabelada
O sistema mamário é regularmente desenvolvido com o úbere coberto de pêlos grandes e finos. Os tetos são grossos e com um desenvolvimento normalmente assimétrico.
Os membros são de longitude média, de ossos finos e de estrutura anatómica perfeita. As unhas são pequenas, duras e pigmentadas. Os aprumos são correctos.
A pele é medianamente elástica e grossa revestida de pêlos abundantes, grossos e lisos. As mucosas são pigmentadas.
A cor é, na sua origem, preta com listão dorsal avermelhado, embora predominem na actualidade, fêmeas castanhas, com graus de tonalidade escura em função das regiões corporais (pescoço, espádua e barbela, ventre e terço posterior.

SISTEMAS DE EXPLORAÇÃO
O bovino Maronês é explorado num sistema complexo de semi-estabulação, com um regime alimentar, também com domínio do pastoreio no caso dos animais adultos, e à estabulação permanente, com o consequente regime alimentar à manjedoura, para os animais jovens
A venda é efectuada por volta dos sete/oito meses, sendo normalmente nessa altura que o vitelo é desmamado.
A reprodução faz-se predominantemente por cobrição natural, normalmente com machos existentes em postos de cobrição particulares, a onde se deslocam as vacas.
O ritmo reprodutivo é o mais intensivo possível, sendo as novilhas cobertas logo que atinjam um patamar de desenvolvimento tido como “razoável” (dos 14 aos 18meses) e as vacas predominantemente cobertas ao 1º cio pós-parto.
Os partos distribuem-se ao longo de todo o ano, embora com alguma irregularidade mensal.


 

ÁREA DE EXPLORAÇÃO
A base geográfica da exploração da raça bovina Maronesa, engloba fundamentalmente, duas regiões naturais – a do Alvão-Marão e a da Padrela (concelhos de, Alijó, Mondim de Basto, Murça, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e Vila Real, e, ainda, parte dos concelhos de Amarante, Boticas, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Chaves, Montalegre e Valpaços).

CARACTERÍSTICAS PRODUTIVAS E REPRODUTIVAS
Pesos de carcaça aos 7 meses, isto é ao desmame, de 98 Kg.
Grandes facilidades de parto (apenas 5,3% dos partos necessitam de ajuda, representando a ajuda veterinária, apenas 2,9%) tem elevados dotes maternais com capacidade láctea mais que suficiente para permitir um bom ritmo de crescimento da cria.
Cerca de 44,8 % das vacas a atingem o 10º parto.LIVRO GENEALÓGICO

MELHORAMENTO
As acções de Melhoramento são conduzidas pela Associação de Criadores do Maronês, entidade gestora do Registo Zootécnico da Raça, sob tutelo da DGV, e visam à melhoria sistemática das características, que na actualidade têm maior valor económico, concretamente:
– no segmento mãe, a adaptação ao meio, traduzida pela precocidade sexual, o intervalo entre partos e as qualidades maternas;
– no segmento pai, o perfil étnico, a fertilidade, a velocidade de crescimento e o rendimento e a qualidade da carcaça;
– no segmento filho, o peso ao desmame e a qualidade e rendimento em carne.
– O programa de melhoramento serve-se da informação produtiva e reprodutiva recolhida nas explorações e da classificação da carcaça e o seu rendimento em carne no matadouro.
A preservação e o melhoramento da raça Maronesa estão a cargo da Associação de Criadores do Maronês (ACM. Na actualidade, a associação, que representa praticamente a totalidade dos 2 000 criadores, assume um papel fundamental na prestação de vários serviços, com destaque para a gestão do livro genealógico da raça, isto é, registo no livro de nascimentos e livro de adultos dos animais e suas genealogias, identificação ao nascimento de todos os animais puros por protocolo com o SNIRB, definição de objectivos e implementação de métodos com vista ao melhoramento genético com destaque para a inseminação artificial com sémen de touros testados, controlo de performances reprodutivas em todo o efectivo e produtivas, por pesagem regulares, em 70% das crias, organização de concursos pecuários e recria de reprodutores masculinos.

O Agrupamento de Produtores “CARNE MARONESA - DOP” é uma secção especializada da Cooperativa Agrícola de Vila Real, que engloba os criadores acreditados para a produção de carne certificada, isto é, que exploram os animais “em raça pura” e em sistema natural de produção, com um regime alimentar constituído exclusivamente de produtos da exploração privada ou em áreas baldias circundantes e segundo o cumprimento integral das regras de bem estar animal.
Este agrupamento tem por missão a gestão da marca “CARNE MARONESA”, isto é, a aquisição dos animais aos produtores credenciados, o abate desses mesmos animais, a desmancha e embalagem em vácuo das suas carcaças, no matadouro da zona demarcada, e a comercialização directa aos consumidores (Coop. Agrícola de Vila Real, Abambres) ou a estabelecimentos credenciados para o efeito (talhos, restaurantes, etc.).

A carne bovina maronesa com denominação de origem protegida, designada comercialmente por CARNE MARONESA – DOP, é um produto, com características sensoriais, nutritivas e hígio-sanitárias de elevada qualidade, resultante da união* feliz de três vectores: um genótipo, corporizado na raça bovina maronesa, uma região, delimitada pelas serranias do Marão – Alvão – Padrela e um modo de produção diferenciado e amigo do ambiente.
As características desta carne são, na vitela, a cor rosa, com alguma gordura uniformemente distribuída e de cor branca, no novilho, com cor vermelha clara com moderada gordura intramuscular de cor marfim e músculo de grão finíssimo, com consistência firme e ligeiramente húmido; e na vaca, com cor vermelha escura, com forte gordura intramuscular de cor marfim e músculo com consistência firme e húmido. O aroma é simples e delicado, a suculência é extraordinária e o “flavor” é excepcional, proporcionando sensações olfactivas e gustativas ímpares.
O produto apresenta-se num mercado especial em meias carcaças ou desmanchada em porções específicas embaladas em vácuo, devidamente rotulada, isto é, com identificação do matadouro, rótulo do agrupamento de produtores e selo de certificação, e segundo três grandes tipos:
- vitela – carne proveniente de animais abatidos entre os 5 e os 9 meses de idade, com peso de carcaça entre os 75 e os 130 kg;
- Novilho – carne proveniente de animais abatidos entre os 9 e os 24 meses de idade, com um peso de carcaça mínimo de 130 kg
- Vaca – carne de animais abatidos entre os 2 e os 4 anos de idade com peso de carcaça entre os 200 e 300 kg.


O regime de maneio é misto de estabulação e pastoreio, que garante o bem-estar animal. A estabulação faz-se em cortes ou lojas tradicionais, com camas de palha e mato, num acrescento permanente que visa manter os animais comodamente instalados e produzir estrume para a fertilização dos solos agrícolas.
A dieta dos animais adultos é constituída por produtos cultivados e ervas e arbustos naturais dos terrenos baldios ou prados privados. As crias estão permanentemente estabulados e mamam até aos 7-8 meses.

publicado por Santos Vaz às 17:54

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